Os garotos, por sua vez, chutavam bola desvairadamente ou corriam como animais enlouquecidos, fora os que cultivavam fios no rosto e tentavam beijar as chatas, aquelas, ora de surpresa, roubando, ora na marra, sem nunca ter sucesso. Hilário estava passando por seus treze azarados anos (azar causado pelo cosmos e tal). Bom mesmo era quando os guris do segundo ano lembravam dele, pensou, convidando para a rodinha seleta nos fundos da escola, atrás dos banheiros. Ah! Repensou... Os quase vestibulandos ficavam ali, comentando uns com os outros qual foi a fácil que deixou pegar nos mamilos e quem pegou, mesmo que rapidinho, no pênis deles. As galinhas, assim eles se referiam às pobres mocinhas que o nosso quase herói sabia nunca deixaram que tocassem seus seios ou que pegaram acolá de nenhum desses difamadores espinhentos, eram sempre as mais bonitas.
Hilário, que nasceu provido de uma inteligência acima da média, ficava ouvindo as mentiras e vendo o futuro; aquele casado com aquela, o outro com a galinha mais safada, todos adultos e esquecidos desses papos para o bem da população que, de tão escassa, tinha os pares já predestinados na ínfima cidadezinha em que moravam. E, ainda vendo o futuro, não se via com nenhuma delas ou assistindo a nenhum desses casórios. Ele ia mesmo para aquele lugar fedorento no final do colégio era por causa da vodca... Sempre havia um da turma que levava garrafa e daí o cretino dava goles largos o quanto quisesse. Quando isso acontecia, as duas últimas aulas ficavam mais interessantes que as de astronomia. Mas hoje não foi convidado, então lhe sobrou o odioso amontoado no pátio.
Foi quando priscilinha, do oitavo ano, sentou no banco à sua frente e cruzou as pernas, deixando para ele a calcinha toda à mostra. Hilário nem tentou desviar o olhar porque, vendo o futuro, mais uma vez sabia que não conseguiria. Suando de pingar, lindas que eram as coxas da menina, a descuidada dona da calcinha de florzinha amarela, ele nem mesmo nesses momentos tão importantes para um já quase cretino homem conseguia fazer sua mente aquietar-se. Ficava confabulando com seu eu interior se estaria ela fazendo de propósito, se seria inocente aquele cruzar de pernas, se o certo não era seria ele ir embora dali... O sempre confuso e agora entusiasmado Hilário se contorcia disfarçadamente no banco, tentando de todos os ângulos ver tudo que pudesse daquela delícia. O que ele não viu mesmo foi o namorado da donzela, atrás dele, roxo de ódio e pronto para esganá-lo. Constrangedor narrar o que ocorreu logo em seguida e durou uns cinco minutos porque ninguém queria apartar.
Nosso quase herói não conseguia sentir-se culpado nem merecedor forçado a descobrir que um bom bife tem serventia também cru. E que não era nada suculento em cima do seu rosto, definitivamente não era. Mudou só a rotina. Ficou em casa uns três dias, suspenso pelo diretor, mas só isso mudou; a Priscilinha ele não esqueceria. Ela sim era suculenta até crua! Na cara dele então...












