<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150</id><updated>2012-01-31T01:26:10.673-02:00</updated><title type='text'>CRETINO HERÓI</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-3651968615785010827</id><published>2008-05-19T11:24:00.000-03:00</published><updated>2008-05-19T11:35:16.517-03:00</updated><title type='text'>BIFE CRU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O cretino odiava a hora do intervalo; aquela algazarra, as garotas pelos cantos, reparando em todas as outras que não eram do seu grupo e fofocando, e as que não eram efetivamente do grupo das línguas de trapo, também fofocando da mesma forma, delas e de todos. O assunto principal naquela semana era mais que especial. Todas falavam de Vera, a professora de Ciências Físicas e Biológicas, que expulsou o marido de casa e pediu desquite no Fórum. Até na secretaria e saleta de professores ouvia-se cochichos, todos pasmos com a audácia dela, Vera do CFB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os garotos, por sua vez, chutavam bola desvairadamente ou corriam como animais enlouquecidos, fora os que cultivavam fios no rosto e tentavam beijar as chatas, aquelas, ora de surpresa, roubando, ora na marra, sem nunca ter sucesso. Hilário estava passando por seus treze azarados anos (azar causado pelo cosmos e tal). Bom mesmo era quando os guris do segundo ano lembravam dele, pensou, convidando para a rodinha seleta nos fundos da escola, atrás dos banheiros. Ah! Repensou... Os quase vestibulandos ficavam ali, comentando uns com os outros qual foi a fácil que deixou pegar nos mamilos e quem pegou, mesmo que rapidinho, no pênis deles. As galinhas, assim eles se referiam às pobres mocinhas que o nosso quase herói sabia nunca deixaram que tocassem seus seios ou que pegaram acolá de nenhum desses difamadores espinhentos, eram sempre as mais bonitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário, que nasceu provido de uma inteligência acima da média, ficava ouvindo as mentiras e vendo o futuro; aquele casado com aquela, o outro com a galinha mais safada, todos adultos e esquecidos desses papos para o bem da população que, de tão escassa, tinha os pares já predestinados na ínfima cidadezinha em que moravam. E, ainda vendo o futuro, não se via com nenhuma delas ou assistindo a nenhum desses casórios. Ele ia mesmo para aquele lugar fedorento no final do colégio era por causa da vodca... Sempre havia um da turma que levava garrafa e daí o cretino dava goles largos o quanto quisesse.  Quando isso acontecia, as duas últimas aulas ficavam mais interessantes que as de astronomia. Mas hoje não foi convidado, então lhe sobrou o odioso amontoado no pátio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando priscilinha, do oitavo ano, sentou no banco à sua frente e cruzou as pernas, deixando para ele a calcinha toda à mostra. Hilário nem tentou desviar o olhar porque, vendo o futuro, mais uma vez sabia que não conseguiria. Suando de pingar, lindas que eram as coxas da menina, a descuidada dona da calcinha de florzinha amarela, ele nem mesmo nesses momentos tão importantes para um já quase cretino homem conseguia fazer sua mente aquietar-se. Ficava confabulando com seu eu interior se estaria ela fazendo de propósito, se seria inocente aquele cruzar de pernas, se o certo não era seria ele ir embora dali... O sempre confuso e agora entusiasmado Hilário se contorcia disfarçadamente no banco, tentando de todos os ângulos ver tudo que pudesse daquela delícia. O que ele não viu mesmo foi o namorado da donzela, atrás dele, roxo de ódio e pronto para esganá-lo. Constrangedor narrar o que ocorreu logo em seguida e durou uns cinco minutos porque ninguém queria apartar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso quase herói não conseguia sentir-se culpado nem merecedor forçado a descobrir que um bom bife tem serventia também cru. E que não era nada suculento em cima do seu rosto, definitivamente não era. Mudou só a rotina. Ficou em casa uns três dias, suspenso pelo diretor, mas só isso mudou; a Priscilinha ele não esqueceria.  Ela sim era suculenta até crua! Na cara dele então...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-3651968615785010827?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/3651968615785010827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=3651968615785010827&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/3651968615785010827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/3651968615785010827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/05/bife-cru.html' title='BIFE CRU'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-7028865859232270816</id><published>2008-03-30T06:57:00.005-03:00</published><updated>2008-04-01T14:08:56.450-03:00</updated><title type='text'>ESCALDADO DE ESTRIQUININA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele queria que o tempo voasse, que passassem dez anos em um minuto. Esperava ansioso ser dono de si mesmo e viver uma vida que ainda não conhecia, mas que tinha certeza existia. O menino carregava em seu coração todo furado por punhais - pois, sendo sensível, machucava-se até com um não - a certeza de que iria viver intensamente, até os cem anos, e fazer tudo de que ainda não tinha idéia. De quebra, classificou e separou na mente seus sonhos das metas. O maior sonho: comprar o corcel setenta e três do Raul Seixas, ou ao menos um igual; sua maior meta, um objetivo imediato: ir ao espaço e ficar lá por dois anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não tinha data pior para Hilário que o Dia das Crianças. Mesmo quando ainda era uma, prevalecia o que sua irmã caçula, Vânia, queria: churrasco e pequi no arroz às margens da cachoeira (que não passava de uma cascata, lembrou). Em seus dezesseis anos de vida, não recordava de haver ido ao zoológico da Capital ou a um observatório de astronomia, o que considerava ser um real ato de exaltação para o dia em que se comemorava o futuro do país. Água fria, gente rindo de suas barrigadas e solidão nas pedras distantes do amontoado de gente é o que restava ao ainda adolescente, quase homem e já cretino, um herói. Um dia seria dono de si, iria querer viver a intensidade que a vida devia ter, pensou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Nada de nada com nada, Hilário não aceitava o fato do Cosmos ter absolvido seu nome e a realidade de seu signo astral. Carro cheio de feijão verde, cheiro que considerava insuportável o daquelas bolinhas amarelas em meio ao arroz de ontem, e a irmã pedindo espaço para pentear sua horrível falta de cachos, partiram rumo ao conhecido. Quem sabe uma nave guiada pela princesa Amidala pousaria bem no meio das árvores e o resgataria? Repensou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sentindo-se um estranho – natural por sê-lo – contou os segundos para livrar-se do colo do tio Amaro, que suava muito no banco de trás do fusca de seu pai. Quando já se preparava para desmaiar, chegaram. Eis que ainda meio tonto, o nosso quase herói vislumbra a definição de céu na terra: Aparecida. O que ela estaria fazendo ali? Mesmo da família, ainda que prima, não imaginava sua deusa em meio dos mortais fazendo programinha infeliz. Quis repetir ato já erroneamente cometido e correr. Sem surpresa, repensou. Ritual desesperador, passou as mãos em seu shortinho de tergal, enxugando a timidez e, mesmo lutando contra, deixou que suas pernas encaminhassem os pés até o seu destempero eterno. Já próximo, uma voz que saiu do cume de um absurdo morro ao lado grita por ela. Cidinha, assim a chamavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Um minuto, somente sessenta segundos impediram que Hilário vivesse uma vida inteira. A covardia lhe deu boas voltas,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;instalando novamente o cretino em seu caldeirão. Aparecida lhe sorriu e foi-se, correu ao encontro da amiga que a chamava. Hilário ainda pôde sentir a vontade de morrer em meio aos cabelos dela, que flutuavam no ar, em direção ao monte de terra e muito mato, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;para o encontro com o dragão que exigia sua presença. Ainda teve tempo de prestar atenção na flechada que entrava em seu peito, rasgando e perfurando seu ímpeto, mandada por Adoniran Barbosa, vindo direto do radinho de pilha do pai de Cidinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Suando frio, deitou-se no chão e cegou ao olhar para o céu escaldante. Então, sem o perceber, mas em voz audível, pediu, como se precisasse ser atropelado ou receber dose de veneno, estriquinina: – Vem Amidala, vem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mal sabia o pobre cretino e longe de já ser um herói que Aparecida, que  fora estabelecido por ele que era sua, mas era a Cidinha de todos, chegando-se e sentando ao lado da amiga - que de tão feia até parecia mesmo um dragão - pôs-se a falar dele em segredo, revelando que estava apaixonada em seus quatorze anos, e que esperava aproximação. E de tão encantada, fitou o agora ainda mais cretino deitado, achando-o charmoso e irreverente, sem sequer imaginar que o tal caira por terra porque lhe faltara forças.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ufa!!&lt;br /&gt;Vírgula Antenada, 29/03/08&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:28;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:28;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-7028865859232270816?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/7028865859232270816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=7028865859232270816&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7028865859232270816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7028865859232270816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/03/escaldado-de-estriquinina.html' title='ESCALDADO DE ESTRIQUININA'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-8419706133374020979</id><published>2008-03-02T11:06:00.014-03:00</published><updated>2008-03-02T16:26:45.673-03:00</updated><title type='text'>DJAVAN, EU GOSTAVA DE VOCÊ</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hilário estava cansado. Chegara ao Rio de Janeiro há cinco horas e ainda não estava recuperado do &lt;a href="http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/incompetncia-do-heri.html"&gt;assalto seguido de morte do qual não foi vítima&lt;/a&gt;. Pegou ônibus errado, depois que um rapaz disse ser o certo, andou muito, mas nada de nada, não encontrava o mar. Ele duvidando (pensou)? Ninguém conseguiria inventar um oceano, nem a Rede Globo. Ou conseguiria (repensou)? Era do interior o confuso... Diziam que o homem na lua foi invenção... Talvez a lua fosse um globo enorme de discoteca... Bateu o joelho em alguma coisa e parou de pensar. Uma lixeira pequena quase arrebentou a rótula do cretino herói, mas a dor não o impediu de interessar-se pelo que estava escrito nela, o endereço de uma pensão que dizia ser de luxo e familiar. Olhou em todas as direções procurando alguma maneira de chegar a Botafogo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Após mais de duas horas, agüentando quase todos os minutos desse fatídico tempo ao lado de uma senhora que suava muito e segurava um menino aconchegado em seus seios maiores que a lua, Hilário chegou ao bairro. Sentiu cheiro de sal e ficou feliz, mas não identificou o sentimento. Quase nunca sentia-se assim. O rapaz que guiava a van que o levara disse-lhe que seguisse em frente e chegaria ao lugar que era seu destino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas o cosmos, que todos sabem absolvera mesmo seu nome, reservava infortúnio ao hoje homem em seus trinta e nove anos. De repente, mergulhou em devaneios e confundiu-se, embolando pernas e pensamentos, quando Djavan começou a cantar &lt;i style=""&gt;Oceano&lt;/i&gt; no MP3. Sua vontade de morrer ficou maior e apressou os passos. Subindo o início de uma escadaria, a música no fim, sentiu duas mãos pesadas em seu ombro, jogando-o em direção a um muro e fazendo com que caísse sentado. Hilário levantou a cabeça atordoado e avistou dois rapazes de chinelos e bermuda, armas enormes apontando para ele e rostos de lobo mal gêmeos. Um deles puxou o coitado e de novo o jogou contra o muro, perguntando quem era ele, o que queria e mais alguma coisa chiada que não dava para entender. Hilário colocou as mãos na cabeça e resolveu ficar calado, chegara o momento do que havia ido fazer ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Levou um primeiro tapa do soldado de chinelos que ainda não havia aberto a boca. Estalou. Levou o segundo do outro, o tirano falador, seguido de perguntas, e doeu mais desta vez. Não suportou. Com voz embargada e falando baixinho, Hilário explicou de onde era e para onde estava indo. Os rapazes se entreolharam e começaram a rir muito quando surge das sombras um terceiro guerreiro, ainda mais forte e assustador. Ele ergueu Hilário, olhou em seus olhos e disse que ali era a subida do Morro Dona Marta, que estranho não chegava assim, à noite, de tênis e som nos ouvidos, que não fosse emboscada da polícia ou playboy viciado. Hilário sacudiu-se, colocou toda sua pouca força nas pernas para que elas o segurassem e tentou parar a tremedeira de pavor. Os maus gêmeos se afastaram e o grandão abaixou-se, pegando a mochila do quase herói e entregando em suas mãos, que só conseguiram segurá-la depois da segunda tentativa. Ainda de cabeça baixa, balbuciou seu nome, talvez para confirmar que ainda estava vivo pois, pensou ele de novo, podia ser que se fizesse xixi nas calças no inferno. O homem à sua frente ouviu e lhe respondeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;– Certo, Hilário... Meu nome é Gino. Conheço a Tia Morena, dona da espelunca. Fica ali ó, naquele prédio. Vamos, te levarei até lá. Vai que você se desvia do caminho e não queremos isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Hilário tentou dizer que a culpa não foi dele e sim do Djavan, mas achou que seria pior. O tal Gino poderia pensar que ele era um viciado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ufa!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Vírgula Antenada, 02/03/2008&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Recebi um selo de um amigão do Hilário, o Blogueiro muito massa &lt;a href="http://badist.blogspot.com/"&gt;Meerstempel Badist&lt;/a&gt;. Muito Obrigada mesmo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://es.tinypic.com/" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://i31.tinypic.com/4ghouu.png" alt="Image and video hosting by TinyPic" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bom, meus indicados:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;a href="http://www.johnny-caochupandomanga.blogspot.com/"&gt;CÃO CHUPANDO MANGA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://mesmasletras.blogspot.com/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://mesmasletras.blogspot.com/"&gt;IPISIS LITTERIS&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://grooeland.blogspot.com/"&gt;GROOELAND&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://outrasandancas.blogspot.com/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://outrasandancas.blogspot.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.nielabittencourt.blogspot.com/"&gt;NIELA BITTENCOURT&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://outrasandancas.blogspot.com/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://outrasandancas.blogspot.com/"&gt;OUTRAS ANDANÇAS&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://www.poeses.blogspot.com/"&gt;POESES&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;*************************************MEME*************************************&lt;/span&gt;****&lt;br /&gt;Esse Blog também foi indicado pelo Meerstempel Badist para esse MEME que irei postar aqui, copiando exatamente como está no Blog dele, &lt;a href="http://badist.blogspot.com/"&gt;Tudo Sobre Um Pouco&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt; &lt;a href="http://badist.blogspot.com/2008/02/meme-dos-100-mreis.html"&gt;Meme dos 100 méreis&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;   &lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Como funciona o meme?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;O objetivo do meme é promover o blog com melhor conteúdo no brasil, que será eleito pelos blogs que postarem este meme indicando três blogs que merecem ganhar o prêmio. Todos os dias será atualizada a lista de blogs votados &lt;a target="_blank" href="http://www.trankera.org/meme-premiada-100-pratas-para-o-melhor-conteudo/"&gt;&lt;strong&gt;neste link&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. E no dia &lt;strong&gt;11 de Março&lt;/strong&gt; (&lt;strong&gt;terça-feira&lt;/strong&gt;) às &lt;strong&gt;23:00&lt;/strong&gt;, será divulgado o blog vencedor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Para participar basta:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;Fazer um post divulgando o meme;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Indicar&lt;/strong&gt; em seu post, &lt;strong&gt;3 blogs&lt;/strong&gt; que considere ter o melhor conteúdo no Brasil;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Colocar um link de participação do meme apontando para &lt;a target="_blank" href="http://www.trankera.org/meme-premiada-100-pratas-para-o-melhor-conteudo/"&gt;&lt;strong&gt;este post&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;Meus indicados:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.johnny-caochupandomanga.blogspot.com/"&gt;Cão Chupando Manga&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://erasoumamenina.blogspot.com/"&gt;Era Só Uma Menina&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://badist.blogspot.com/"&gt;Tudo Sobre Um Pouco&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-8419706133374020979?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/8419706133374020979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=8419706133374020979&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/8419706133374020979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/8419706133374020979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/03/djavan-eu-gostava-de-voc.html' title='DJAVAN, EU GOSTAVA DE VOCÊ'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i31.tinypic.com/4ghouu_th.png' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-7253553691360090250</id><published>2008-02-18T17:59:00.004-03:00</published><updated>2008-12-13T01:41:25.265-02:00</updated><title type='text'>SELOS!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/R7nz54TzLfI/AAAAAAAAAtk/82SuciTIp2U/s1600-h/selo3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/R7nz54TzLfI/AAAAAAAAAtk/82SuciTIp2U/s400/selo3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168430223077879282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/R7nzpITzLeI/AAAAAAAAAtc/UrNgw_2YFU8/s1600-h/selo4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/R7nzpITzLeI/AAAAAAAAAtc/UrNgw_2YFU8/s400/selo4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168429935315070434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi do&lt;a href="http://www.johnny-caochupandomanga.blogspot.com/"&gt; Cão Chupando Manga&lt;/a&gt; esses dois selos lindos! Johnny, obrigada mesmo!&lt;br /&gt;Meus indicados são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://grooeland.blogspot.com/"&gt;Grooeland&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.paullorobert.blogspot.com/"&gt;Um Franquilino Pernambucano&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://sushidebanana.blogspot.com/"&gt;Sushi de Banana&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diariodemh.blogspot.com/"&gt;Bomba MH&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://losfanfaroes.blogspot.com/"&gt;Los Fanfarões&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-7253553691360090250?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/7253553691360090250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=7253553691360090250&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7253553691360090250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7253553691360090250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/02/selos.html' title='SELOS!'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/R7nz54TzLfI/AAAAAAAAAtk/82SuciTIp2U/s72-c/selo3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-7402252391013054364</id><published>2008-02-17T20:44:00.006-03:00</published><updated>2008-02-21T21:48:10.319-03:00</updated><title type='text'>ÍNFIMO INFAME</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:48;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele acabava de sair de dentro dela. Gisa não era uma fêmea qualquer, era do time das mulheres de que independia o corte do cabelo, a ordem das constelações. Nosso hoje somente herói, nesse dia, estava em êxtase, literalmente. Soube que pele era rasgo bem cortado, dependendo da navalha. Devia ser a melhor trepada da vida dele, devia ser melhor que dar as costas para o Atlântico, melhor que dar as costas pro Planalto. Voava alto o cretino, morto em ressuscitação bacana. A pele inspirava uma falta de vergonha na cara, conveniência destilada e etílica, idas e vindas sôfregas e sofridas... Descobriu que era um masoquista e que, realmente, em seus quarenta e dois anos, queria morrer de vergonha, para sempre, engolido pela membrana suntuosa, frenética, enraivecida, encharcada e fluvial de mulher. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Está certo que foi para o Rio de Janeiro com o objetivo de matar-se, combinado que esperava pouco do resto da fatídica vida que lhe faltava para dar cabo, provável a verdade do aquilo que se apresentou fazendo dele um paspalho. Mas tudo tornou-se flexível. A fábrica de vida já parada reagiu, a máquina pôs-se a funcionar e Gisa, Gisa, Gisa, melhor marketig de rede verdadeiro e providencial, 100% nacional, ofereceu-lhe a possibilidade de abrir os portões, o que se explica na íntegra quando, cheia de manha, disse ao hoje quase homem que lhe abrisse primeiro uma perna e depois a outra, devagarinho, sem pressa, no mesmo ritmo do blues que ouviam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Assim, fora de si, fora dela, fora dos eixos e sem saber qual fome ainda sentia, Hilário preocupou-se com o domínio do seu membro, que sentia vontade de explorar outras cavernas ou fazer morada naquela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi quando Gisa levantou-se, pegou um CD do Arnaldo Antunes e, já vestindo seu jeans, disse que não conseguia dormir fora de sua cama, no seu casulo. A vespa que fora ferroada tranqüilamente foi-se, deixando-o, desta vez com cabimento, cretino herói, junto ao Arnaldo, rindo de Hilário, perguntando maliciosamente o porquê dele ainda querer aquela mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ufa!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vírgula Antenada&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-7402252391013054364?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/7402252391013054364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=7402252391013054364&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7402252391013054364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7402252391013054364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/02/nfimo-infame.html' title='ÍNFIMO INFAME'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-1749071899904055532</id><published>2008-02-16T18:00:00.002-02:00</published><updated>2008-02-16T18:03:16.784-02:00</updated><title type='text'>TEXTO EM VÍDEO NARRAÇÃO -  TEMPO BLUES</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xC6bRch1KVs&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xC6bRch1KVs&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-1749071899904055532?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/1749071899904055532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=1749071899904055532&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/1749071899904055532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/1749071899904055532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/02/texto-em-vdeo-narrao-tempo-blues.html' title='TEXTO EM VÍDEO NARRAÇÃO -  TEMPO BLUES'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-7115065906099987396</id><published>2008-02-13T14:42:00.001-02:00</published><updated>2008-02-13T14:45:10.092-02:00</updated><title type='text'>VACA  DISCREPANTE</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;(“Teu bom só para o oco, minha falta”)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acordou molhado de suor, atravessado na cama, sem saber o paradeiro dos travesseiros e mergulhado em constatações. Hilário teve um pesadelo e o infeliz o despertou às duas e meia da madrugada. Devia parar de comer comida gelada antes de deitar-se e matar sua preguiça de vez. Quem sabe assim teria a grandeza de sonhar com os anjos. Queria matar, fosse qualquer coisa ou ser. Matar.. Logo ele, que nunca teve coragem de quebrar um copo, nem por descuido. Ouviu um barulho vindo da parte sala de seu quarto e ficou imóvel por instantes, rindo em seguida, relembrando que deixara seu PC ligado e Caetano a mandar chuva do mesmo bom sobre os caretas. Pensou em levantar-se e tomar um copo de leite morno, pegar um livro e ficar lá, estatelado na cama, até adormecer. Mas, leite – pensou – lembrava teta, livro lembrava o que estava terminando. Sentiu ódio insensato dele mesmo por estar nas últimas páginas de “A Casa dos Budas Ditosos” e ainda não ter um veredicto. O que falaria para aquela aluna bonitinha, novinha, com aquelas roupas esquisitas e sorriso de leoa? Como explicar que ainda não sabia o que dizer do livro, ou pior, como dizer a verdade?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em seus quarenta e quatro anos mal vividos e depois de inúmeras derrotas, estava lá o cretino herói, sem língua e apavorado, pois que ou iria causar risos na mocinha decotada que lhe emprestou aquela infame discórdia de atos ou acabaria por estalar seus ovos ao sentir a inferioridade diante dos argumentos e narração transloucada da mulher nefasta e discrepante do livro. Levantou e andou atordoado por seu quarto e sala. Pegou o livro e – repensou – largou de novo. Está certo e já entendido que o cosmos absolveu mesmo seu nome, mas aquelas páginas o levaram à ruína. Como uma mulher poderia ser capaz de gozar tanto dos homens, gozar tanto nos homens e fazer os homens gozarem tanto? Louca, perversa contraditória e criminosa, assim descrita por ela mesma e conseguindo que acreditemos ser deliciosa. De uma inteligência sublime. Deveria ser colocada amordaçada e com armadura numa masmorra lá do Vaticano. Ou deveria ele cheirar cocaína, entender tabelinha, aprender palavrões, comer a tia, criar uma cobra, viajar com hippies, ser estéril e... Não, comer a irmã não dava, definitivamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Descobriu que era quase puro e com ênfase pegou o livro, agora sossegado, sentando-se no sofá-cama. Terminaria o maldito atordoador, esperando conscientemente que uma mulher como aquela aparecesse em sua vida ou, pelo menos, que encontrasse Ubaldo na rua para perguntar o porque de se rebaixar o time &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;daquela maneira. Hilário achou que não poderia ficar pior sua vida depois que terminasse a história.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;Ufa!!&lt;br /&gt;Vírgula Antenada, 13/02/08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-7115065906099987396?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/7115065906099987396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=7115065906099987396&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7115065906099987396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7115065906099987396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/02/vaca-discrepante.html' title='VACA  DISCREPANTE'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-4868799677556785275</id><published>2008-01-31T13:39:00.000-02:00</published><updated>2008-01-31T15:29:51.750-02:00</updated><title type='text'>GÁS CARBÔNICO</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: -24.8pt; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As mãos suadas evidenciavam o nervosismo, mas a altivez com que fechara o portão de casa deixava transparecer segurança, disfarçando o temor. Hilário quase não comeu. Primeiro, porque não aguentava mais aquele frango de granja que sua mãe fazia, um dia frito, outro cozido. Segundo, porque estava entalado com um marinheiro inteiro que tentou fazer nó na sua garganta e por lá se prendeu. Coitado do quase herói. Dois passos pela calçada rumo ao colégio e já estava arrependido da profissão que escolhera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Lembrou-se dos tempos em que ficava na carteira, sentado, maquiavélico, observando a professora da vez. Media com descompostura a figura na frente da sala, mentalmente analisando os erros demasiados de aparência, entonação, letra, informação. Nunca fora satisfeito quando aluno, sempre esperava por um mestre melhor. Odiava todas as matérias, era razoável em algumas e se esforçava com as que não entendia. Achava que os todos os professores haviam escolhido disciplinas que não combinavam com eles. Mas nunca abria a boca, nem nas provas orais, o que lhe rendeu uma repetência em português, na sétima série. Um carrasco chamado Ygor não entendia que o cretino menino era tímido e humilhou Hilário com mísero “MI” na prova final. Acontecia que essas lembranças pioravam sua situação, tendo em vista que o Cosmos absorveu mesmo seu nome e que, hoje, o tal nefasto professor era seu chefe, diretor da escola em que a Fundação Educacional o colocara para lecionar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Chegou na porta da sala dos professores e antes de entrar sorriu por dentro, novamente lembrando-se do passado, quando ali era território proibido. Uma força descomunal tomou conta do rapaz, que ali sustentava seus vinte e seis anos, mas... Como sempre agia de forma contrária, todo o gás que o empurrava para dentro da sala, lugar de direito, fazia com que o cérebro mandasse ele correr dali e voltar para a escola particular de Sra. Amália, onde lecionou por quatro anos, sem lembranças da infância, uma vez que sempre foi de família humilde e, de particular, não tinha nem o quarto. Conflitante foram os segundos que se seguiram. O gás que o impulsionava era nocivo, pois que ele não tinha atitude e a vontade que nunca mostrava forças diminuía o ar nos pulmões,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;fazendo a agonia de não conseguir sair do lugar um bom pretexto para morrer (pensou). Sentiu a boca seca e os olhos começando a enxergar bolinhas pretas, que dele gargalhavam. Hilário estava tendo uma crise de pânico e daí as bolinhas se multiplicavam, logo com ele, péssimo em matemática. Alguém colocou a mão em seu ombro e perguntou se estava tudo bem. Reconheceu a voz do Professor Ygor e, para assassiná-lo de vez, o pensamento correu olimpicamente para o dia em que este o olhou em suas calças curtas e perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;– Hilário, está me ouvindo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;– ‘Ouvo’ professor – respondeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;– Menino! Não se diz ‘ouvo’. Ovo é de galinha. Se diz ouço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ainda se lembrava da sensação de vitória quando respondeu ao professor:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;– Ha, ha! Ouço também é de galinha!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O agora diretor insistiu para saber se o novo professor estava bem, mas não deu tempo. Hilário desmaiou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Ufa!!&lt;br /&gt;Vírgula Antenada, 31/01/08&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 2.2pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-4868799677556785275?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/4868799677556785275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=4868799677556785275&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/4868799677556785275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/4868799677556785275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/gs-carbnico.html' title='GÁS CARBÔNICO'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-5978805953085750690</id><published>2008-01-23T09:58:00.000-02:00</published><updated>2008-01-23T10:25:57.827-02:00</updated><title type='text'>MARGINAL</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não que Hilário se importasse com os pensamentos de qualquer um, inclusive os seus, que abandonara na oitava série, prometendo não se preocupar com mais nada, principalmente depois de três doses de vodka. Era seu aniversário, estava entrando para a elite. Viraria lazer das garotinhas, um brinquedo à disposição, ainda pobre, mas com mérito universitário sem gastos com o ingresso no curso superior. Queria experimentar, mesmo já tendo ele provado inclusive galinha com vestígio de pólvora. Nada de nada com nada, sabia ele havia ainda merecidas degustações para saborear. Afinal, cansaram de repetir que só se fazia dezoito anos uma vez na vida!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Queria era festa e por ela implorava, a festa da maioridade. Resolveu quando tinha dezesseis! Na hora em que fosse adulto por Lei, comemoraria na boate do safado do maquiador purpurinado, o Lira, dono absoluto da própria vida e do ambiente nefasto inteiro, conseguido com os tantos defuntos que corou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Lira, lembrou ele... O antes rapaz alegre, hoje experiente raposa, sempre foi gay, sempre foi&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;assumido e nunca deixou por menos. Trabalhador honesto, era o preferido da primeira-dama da cidade quando encarnada e foi seu melhor amigo quando beleza viva lhe deu em seu velório, transformando a carne do rosto ressecado dela em duas apetitosas maçãs. Pensou o cretino herói no banquete dos vermes quando sepultaram a primeira-dama. Mulher de fibra (muitas), além das invariáveis nádegas voluptuosas, desprotegidas pela falta de costureira na cidade que as disfarçasse. Lira, o agora empresário, era descomunal desde que Hilário conheceu essa palavra. Absoluto, usou de suas economias e abriu o “Free Sex Dance”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na Boate ia de tudo. Cidadãos e mulheres das cidades vizinhas, turistas exóticos, Procuradores da República e passantes. Além dos corajosos e destemidos ali nascidos. E era lá que iria nosso cretino herói, virando homem exatamente naquele dia. Ele ia botar pra fuder (pensava) e se postar diante da sociedade como dono de si, de suas vontades, livre escravo do sistema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Porém, resolveu que seria melhor passar em casa e mudar a indumentária. Nada de pouca coisa, queria abafar. Faria o que desse vontade, era um universitário, maior de idade, cheio de vida e vontade de mudar. Um reacionário era Hilário. Chegando em casa, antes que abrisse a boca, gesticulasse ou ao menos tentasse, seu pai o esperava na sala, diante do Cid Moreira, espreitando a porta. Olhou de lado e avisou ao aniversariante que sua mãe estava no banho, exausta, pois tinha passado a tarde inteira a trabalhar em um bolo azul-anil com recheio de goiabada, para que a família lhe cantasse o &lt;i style=""&gt;Parabéns pra Você&lt;/i&gt; e juntos o saboreassem. Pensou em contar seus planos, mas o pai os adivinhou antes e fechou a cara. Hilário olhou para a terrível irmã caçula caçoando dele mentalmente, para a tirania no rosto de seu pai e foi para o quarto.  Ligou seu três em um e ouviu o Dr. Silvana gargalhando dele  enquanto mandava “taca a mãe pra ver se quica”.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-5978805953085750690?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/5978805953085750690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=5978805953085750690&amp;isPopup=true' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/5978805953085750690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/5978805953085750690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/marginal.html' title='MARGINAL'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-4297530263581340080</id><published>2008-01-11T10:33:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T10:44:48.370-02:00</updated><title type='text'>TORNEIRINHA</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Estava ali, quietinho, aconchegado... Parecia uma letra “C” dentro daquela bacia de pneu de caminhão sem roupa de molho ou água ensaboada, repleto de dúvidas e sensações, além dos poucos e pequenos ossos. A bacia encontrava-se vazia debaixo do tanque, ocupada apenas por ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De olhos fechados e mente inquieta, Hilário, menininho que só ele em seus onze anos, sentia o vento da mangueira frondosa que fazia sombra e não deixava, assim, que seus miolos queimassem além do fogo infortúnio de carregar tanta interrogação. Podia levantar-se, abrir a torneira, beber um pouco d’água, molhar a nuca, pensou. Não. Alguém poderia vê-lo, descobrir seu esconderijo, obriga-lo a ir à aula de educação física, repensou. E, pensando, pensando, tentou novamente desvendar o grande mistério que o consumia a dois dias. A freguesa de costura de sua mãe, Dona Virgínia, a vizinha. O cretino que um dia ainda seria herói, a achava feia, falante demais, uma velha de vinte e quatro anos. Podia ser mãe dele, mas não era. E essa questão era a complexidade do não entendimento corporal. Logo, quanto mais Hilário pensava em Dona Vírginia, mais rijo ficava certa parte de seu corpo a qual o pai, todos os dias, questionando aos berros em saber se havia acabado o banho, acrescentava para que ele não esquecesse de lavar: “a torneirinha”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Está certo que aprendeu em aula que quanto maior o abastecimento, mais água sairia dos canos. Será que a visinha era um reservatório e que quando ele olhava para ela ficava cheio? Não! Ele não era algo assim, definitivamente. Sentia-se deserto desde que se entedia por gentinha. Não podia ser fluvial e, corrente, só as que lhe prendiam ali. Que parecia que ia explodir quando imaginava, parecia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Abriu os olhos tentando pensar em outra coisa qualquer. O problema era que, se pensasse em chupar umas mangas, ai. A aflição pior é que ele queria tocar quando se encontrava assim, mas não tinha coragem. Já era covarde desde cedo. Tinha medo de doer, de aleijar, de entupir, de gostar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Levantou o pescoço e olhou em volta... Ninguém no quintal. Apenas ele e seus dilemas. Sentou-se e dirigiu o olhar para si mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como é que algo que havia dentro de outro algo podia entrar em outro lugar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em briga de gigantes, cabeça em parafuso, esfregou uma mão na outra e travou os dedos tensos, sem os estalar, segurando... Queria que mais alguma parte de seu corpo ficasse rija para distrair a vontade, que continuava brigando com a coragem. Trabalhou seus pensamentos, pensou no carrinho de miniatura, na lição de matemática, na irmã caçula, a criatura mais horripilante que conhecia. Pensou no Chacrinha e em seu programa diurno de fim de semana. Nas chacretes dançando o que a vitrola tocasse, nas Frenéticas dizendo que sabiam ser bonitas e que ele ficaria louco dentro delas, na fruta que o apresentador segurava, na buzina que ele apertava, e, embalado pela música, foi ficando &lt;i style=""&gt;muito louco, louco, muito louco&lt;/i&gt;. No ritmo da música, com os vocais do &lt;i style=""&gt;“tiurururu”&lt;/i&gt; ecoando, pensando nas perigosas, no demônio do peito que morava no peito delas, nas inúmeras vozes femininas que o acusavam de olha-las e querê-las, imaginando o veneno doce guardado dentro de cada uma daquelas bocas, virou escravo e deu-se ao açoite, aproveitando o fogo da mente, do corpo, da lembrança de Dona Vírgínia, da música, e entregou-se aos dedos que se desentrelaçaram. Abriu comporta e a represa desprendeu-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sabendo que não estaria refeito depois do que sentiu, levantou com as perninhas bambas e foi pro tanque. Abriu a torneira, a boca seca e ficou olhando aquela água saindo em correria afora. Não a quis beber. O gosto que sentia era mais saboroso que aquele líquido armazenado no reservatório. Estava era com fome e queria jantar. Então, no outro quintal, alguém colocou bem alto uma música barulhenta, que ele saberia depois ser do Camisa de Vênus, e que repetia muitas vezes que uma tal de Silvia era &lt;i style=""&gt;piranha&lt;/i&gt;. Pediria à mãe que fizesse peixe, mesmo sabendo que só tinha sardinha. Comeria a todas, inteiras. Mas antes, tomaria um banho. Fechou a torneira.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Ufa!!&lt;br /&gt;Vírgula Antenada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-4297530263581340080?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/4297530263581340080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=4297530263581340080&amp;isPopup=true' title='40 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/4297530263581340080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/4297530263581340080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/torneirinha.html' title='TORNEIRINHA'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-7320581310601515713</id><published>2008-01-05T16:49:00.001-02:00</published><updated>2008-01-05T16:49:47.116-02:00</updated><title type='text'>A PRIMEIRA VEZ DE HILÁRIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;("...Lay down your arms and surrender to me/ Oh, lay down your arms and love me peacefully, yeah/ Use your arms for squeezin' and please/ I'm the one who loves you so/ There ain't no reason for you to declare war/ On the one who loves you so...")&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deponha suas armas e renda-se para mim./ Deponha suas armas e me ame pacificamente, sim./ Use seus braços para apertar e agradar,/ Eu sou aquele que te ama tanto.../ Não existe motivo para você declarar guerra/ Àquele que te ama tanto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazia calor naquele dia de agosto, algo que lembrava Trípoli em dia de intervenção, e Hilário sentiu na voz ditadora de seu pai um tom de Kadafi impiedoso. Não retrucou. Rumou de imediato para o banco a providenciar o pagamento das contas do mês. Enquanto caminhava pela calçada de paralelepípedos, sentia o calor das lascas de pedras fervilhantes que invadiam o sapato do pé esquerdo pelo imenso buraco na sola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Início de mês. Fila imensa na instituição financeira e relógio analógico pendurado atrás do gerente informavam nosso herói que seriam horas de tortura, que o melhor era ficar de cabeça baixa e conformar-se. Distraiu-se com os próprios pensamentos... Depois de não se sabe quanto tempo, começou a sentir um incômodo, algo como pressentimento, uma sensação de que estava sendo vigiado. Difícil mesmo era que, naquele cafundó do Judas, a matriz lembrasse daquela agência e nela instalasse câmeras. Não, impossível, afinal estávamos em mil novecentos e setenta e oito e isso era coisa de fita americana. Em seus quatorze anos de existência nunca sentira tal certeza de que alguém o observava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário resolveu arriscar e levantou o olhar já com o rosto avermelhado. Seus olhos então vislumbraram o demônio a encará-lo, sem nem mesmo disfarçar que fazia dele mirante e bela vista ao mesmo tempo. Uma mulher como aquela só poderia ser o demônio na terra. Linda, exuberantemente maravilhosa com sua esplêndida boca vermelho carmim e olhos tão verde-escuro que fariam as profundezas do mar se rebelar caso soubessem. Tinha cabelos castanhos ondulados que poderiam envolver todo o corpo dele sob tamanha imensidão de fios. A pele bronzeada dizia que era uma diva acostumada aos melhores iates ancorados em ilhas gregas. Linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário não entendeu o que viu. Ao mesmo tempo que a fitara, ela imediatamente pôs-se a desfilar em sua direção, flutuando sob saltos dourados... Era muita informação para ele, coitado. Quanto mais ela se aproximava, mais o branco dos dentes, por motivo de um sorriso intenso, o cegava. Linda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou diante dele e colocou as mãos na cintura. Ele mudo, ela em pose. Pensou rapidamente em blasfemar e perguntar porque os céus o enviava tamanha exposição de perfeição, pois que tal qual só tinha visto, até hoje, na doceria da Dona Cotinha. Salivou. Ela, olhando para dentro dele, disse qualquer coisa e ele entendeu, só depois de muito tempo, que era seu nome: Mara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo carinhoso, ela passou a mão direita pela testa de Hilário e, após, levou-a disfarçadamente à boca, colocando a língua entre seus dedos. Ele gritava por dentro e não entendia o que era aquilo tudo, o porque de ser o sorteado, o que havia cometido como sacrilégio e como pagaria por pecar com mil pensamentos indevidos ao mesmo tempo. De repente, sem pergunta e ainda cegando o pobre rapaz, Mara pega sua mão e sai puxando o aliciado, já lobo mau, para fora do banco. Entrega a ele, já no estacionamento, as chaves de uma kombi ano 66 e solicita que abra a porta. Indescritível o que aconteceu depois de os dois ali haverem entrado. Entre botões e novidades, fogos às duas da tarde foram soltos em rojões na pequena cidade do Goiás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguidamente ao foguetório, a musa do resto da vida de Hilário vestiu-se carinhosa e lentamente e, fazendo isso, o dia começou a virar noite. Ele tentava balbuciar alguma frase completa mas, inútil, vez que não saía nada. Ela, já vestida em uma boca de sino que não só apertava a batata das pernas, mas colava no restante da melhor visão que nosso impávido protagonista carregaria pelo resto da vida, pulou para o banco da frente do veículo e acendeu um cigarro. Abriu a bolsa, pegou um batom, agora lilás da cor do amor, e repintou a obra de arte que era sua boca. Hilário, ainda sôfrego, sem reação, somente admirava, deslumbrado. Em menos de dez segundos ela virou-se pra trás, deu um sorriso indecifrável e único para o nosso menino hoje homem, abriu o porta luvas, pegou uma arma e suicidou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário não se lembra ainda onde foi que ela mirou. Lembra-se vagamente de algumas pessoas que ouviram o disparo e correram até a kombi 66. Sabe, é certo, que tudo ficou esclarecido, não pelas câmeras, pois que não haviam para registrar, mas pelos milhares de olhos que seguiram o enredo desde o início. Os peritos da cidade, em laudo criminalístico e cadavérico, inocentaram o menino, hoje homem desiludido e saudoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário recusou-se veemente a saber quem era Mara e o porque de tudo aquilo. Sei que, quando lembra, bebe uns tragos e ouve repetidas vezes “Soldier of Love”, do Pearl Jam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh baby, lay down your arms, please baby lay down your arms.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tcha, tcha, tcha!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ufa!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Virgula Antenada, 16/09/07&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-7320581310601515713?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/7320581310601515713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=7320581310601515713&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7320581310601515713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7320581310601515713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/primeira-vez-de-hilrio.html' title='A PRIMEIRA VEZ DE HILÁRIO'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-179768188870978750</id><published>2008-01-05T16:47:00.000-02:00</published><updated>2008-01-05T16:48:35.653-02:00</updated><title type='text'>POUCA SORTE É HILÁRIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;("...And all the roads we have to walk are winding/ And all the lights that lead us there are blinding/ There are many things that/ I wouldLike to say to you/ But I don't know how...")&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(E todas as estradas pelas quais temos de caminhar são tortuosas/ E todas as luzes que nos conduzem até lá sao ofuscantes./ Existem muitas coisas que eu gostaria de dizer para você,/Mas eu não sei como...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele é &lt;em&gt;passifista&lt;/em&gt;. Não por opção, mas sim porque é muito ruim de briga. E depois de tanta cara costurada e bife nos olhos, resolveu lutar pela paz, geral e mundial. O certo é que ele fosse mesmo pacifista mas, depois de tanta porrada, por inúmeros motivos, resolveu que no Morro da Mangueira estaria a salvo. Então, vamos lá. &lt;em&gt;Passistafista &lt;/em&gt;e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu em dia chuvoso, com raios, sem trovoadas, e sua mãe ouvia “Eugênio”, na voz de Evandro Mesquita, quando ainda havia, de verdade, uma banda que se chamava Blitz. Não que ela gostasse. Nada... É que uma amiga da prima de uma conhecida da sogra dela disse que ajudaria o mocinho a nascer inteligente. Mas acontece que, contam até hoje todos na família, a fita do walkman embolou e ela, no instante da última dor, tentou, porém não conseguiu, decifrar Eugênio (= gênio?). Surtou! Em psicodélica visão de seu âmago, que transpunha todo o seu estado de outra dimensão, deu à luz a Hilário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que vamos tentar aqui (talvez um dia eu possa escrever sobre a infância e adolescência desse hoje homem) falar dos desarranjos sublimes de nosso novo herói. Ainda, acreditem, não se conforma com seu pai... Estava tudo bem, tinha missa de meia em meia hora no dia em que nasceu, almoço de domingo, mas o pai de Hilário resolveu ir com o vizinho tomar uma Phrymmus. Uma só. Cerveja tão barata e acessível que nem sabia soletrar Inmetro. Depois de conhecer todas as primas de segundo, terceiro e quarto grau da tal cerveja, lá foi Sr. Bonifácio a caminho do cartório, que se encontrava de plantão, claro, pois que havia morrido alguém justamente no Sábado, antes da novela. O maquiador purpurinado estava soltando frangas após meses sem trabalho, o dono da funerária fazendo contas, a porta do cemitério escancarada e o cartório esperando a autópsia do defunto do Sábado, para a certidão de óbito. Sorte do pai de Hilário, aproveitaria o dia de folga para registrar seu primogênito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu que algumas questões desimportantes aos demais saíram ao controle da famigerada circunstância. O Sr. Bonifácio tentava imensuravelmente dizer Holírio, nome de seu bisavô, tataravô do ainda bebezinho, hoje homem inconformado. Mas, ligeiramente embriagado, com a língua obedientemente torpe, Sr. Bonifácio emitiu da boca um som que seria hoje repreensível, mas que à época, quarenta e três anos atrás, soou Hilário. Claro que esse nome foi ouvido pelo cosmos, que absorveu e fez da vida deste querido cretino, à revelia, um caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adiantou a choradeira compulsiva da mãe, D. Clarice, antevendo que nem sabia o significado do nome e muito menos o destino que traria ao filho. Incrível é que não se conseguiu padrinhos, já que naquela cidadezinha do Goiás nem ser humano, nem as vacas do estábulo, nem os cavalos do curral queriam fazer parte do infortúnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Hilário passou por tantas que irei contar e por outras mais – obrigação minha revelar – além das menos que têm importância significativa para se registrar. Irei, no devido tempo que me for hábil, deliciar-me com sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei hoje que se encontra bêbado, sem mulher ou filhos, à procura de sua cara metade, enquanto ouve “Wonderwall”, do Oasis, tentando inutilmente esquecer o passado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ufa!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vírgula Antenada, 11/09/07&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-179768188870978750?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/179768188870978750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=179768188870978750&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/179768188870978750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/179768188870978750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/pouca-sorte-hilrio.html' title='POUCA SORTE É HILÁRIO'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-5012716842751916233</id><published>2008-01-05T16:46:00.000-02:00</published><updated>2008-01-17T10:17:29.043-02:00</updated><title type='text'>A INCOMPETÊNCIA DO HERÓI</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(0, 92, 92);font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;b&gt;("This is the end&lt;br /&gt;Beautiful  friend&lt;br /&gt;This is the end&lt;br /&gt;My only friend, the end&lt;br /&gt;Of our elaborate  plans, the end&lt;br /&gt;Of everything that stands, the end&lt;br /&gt;No safety or surprise,  the end&lt;br /&gt;I'll never look into your eyes...again&lt;br /&gt;Can you picture what  will be&lt;br /&gt;So limitless and free&lt;br /&gt;Desperately in need...of some...stranger's  hand&lt;br /&gt;In a...desperate land...")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;("Esse é o fim&lt;br /&gt;Belo amigo&lt;br /&gt;Esse é o fim&lt;br /&gt;Meu único amigo, o fim&lt;br /&gt;Dos  nossos planos elaborados, o fim&lt;br /&gt;De tudo que permanece, o fim&lt;br /&gt;Sem salvação  ou surpresa, o fim&lt;br /&gt;Eu nunca olharei em seus olhos...de novo&lt;br /&gt;Voce pode  imaginar o que sera?&lt;br /&gt;Tão sem limites e livre&lt;br /&gt;Precisando  desesperadamente...de alguma...mão de um estranho...numa terra estranha?...")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Ele nem mesmo pensou duas vezes, pois tinha certeza de rei na frente de um banquete que sua idéia era boa por demais. Entrou em casa e rumou direto ao seu quarto. Queria logo pegar duas mudas de roupa, suficientes até o desfecho de seu plano, ir para a rodoviária, não dizer adeus a ninguém. Talvez dele só lembrassem quando a notícia chegasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Comprou a passagem e calmamente esperou por muito tempo – nunca nada acontecia de imediato na vida dele – até a chamada de embarque. Sentou-se na última poltrona, corredor, ao lado de uma senhora muito gorda que já dormia, babando pelos cotovelos. Enfim, rumaria ao seu destino, que ele mesmo escolhera, sem tropeços e desajustes, certeza que tinha da conclusão do pensamento da manhã daquele dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Hilário queria morrer. Literalmente. Bater as botas, virar comida de minhoca, desencarnar, ser fantasma... Não... Fantasma ele já se considerava. Resolveu que sua vida não era condizente com ele, que nada nunca faria jus ao que era em verdade. Não era depressivo, não era doente, só não estava satisfeito. E queria morrer. Problema foi quando tardiamente descobriu sua covardia. Esta apresentou-se de forma grotesca: Hilário não conseguia visualizar nenhuma cena que causasse a retirada indevida de sua existência terrena, todas as possibilidades o aterrorizavam e ele quase morria só de imaginar matar-se. Por pouco não sujou a bermuda quando lhe ocorreu a cena de jogar-se na frente do carro do Sr. Zé Lelé, motorista do frigorífico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Queria ele, de outra forma, não mais viver. Talvez, se esperasse com um pouco de paciência, viria uma doença preexistente que faria o serviço. É certo que sabia um tanto da vida aos seus trinta e nove anos e, notoriamente contrariado, descartou essa possibilidade de imediato, já que na família dele, quando não era por acidente, todos morriam só depois dos setenta. Acidente, era isso! Tinha que sofrer um acidente! Como causar um acidente a si mesmo naquela cidadezinha onde, a meses, nada além de bois morriam? Hilário lia muito naquele tempo, tudo que podia. Também gostava dos noticiários, acompanhava o que estava acontecendo no mundo e, por essa única razão, não pensou duas vezes: seguiu para o Rio de Janeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Nosso herói sentiu certa alegria quando &lt;i&gt;ancorou na passarela&lt;/i&gt;. Cidade realmente magnífica era a Maravilhosa! Desceu ansiosamente do ônibus e, andando pela plataforma da rodoviária, emocionara-se. Nunca tinha visto tanta gente num mesmo lugar. Acreditou piamente que seu plano seria concretizado justo ali, que morreria naquele lugar, sem maior esforço. Era inevitável, remoía-se por dentro. Tantas pessoas aglomeradas e de diferenças evidentes. Não morreu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Tendo saído pela rua tomado de swing, nosso herói já estava consumido e inebriado pela batida, choro e samba que sequer conhecia ainda. Deu uma parada repentina. Suas pernas travaram, estava enfeitiçado. Um sorriso estampado na face para o qual, ali, a vida parecia ser sinônimo de diversão. Controlou-se quando seu estômago reclamou a falta de alimento. Avistou um bar no fim da esquina e, quase correndo, adentrou o recinto. Coisa estranha: ninguém olhou para ele. Nada de cochichos, arregalar de olhos, uma delícia. O bar da Neuza havia acabado de abrir. Eram nove horas da manhã e a própria veio atender nosso encorajado predestinado ao túmulo. Neuza, indiferente ao novo homem à sua frente, esperava pelo pedido. Rindo sem querer da gaguejada pergunta, apontou o banheiro para o novo freguês. Lá foi nosso cretino preferido ao fétido cubículo horizontal e indefinível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Quando saiu do banheiro, não acreditou em seus olhos e, por instantes, surtado, teve mais vontade de morrer... De ódio! É que enquanto usava tempo demais tentando inultimente lavar as mãos naquela água rala da torneira da pia imunda, três pivetes assaltaram o bar de Neuza, deixando cinco cadáveres inertes estirados no chão do bar e a dona do estabelecimento sem nenhum vintém. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Hilário sabia que talvez fosse desafortunado mas, incompetente, nunca havia concordado que era, apesar de sua irmã caçula insistir no fato. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Em meio ao movimento e impedido pela polícia de deixar o local, sacou de sua mochila o Mp3 e ouviu Jim Morrison dizer a ele que não desistisse de sua causa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Ufa!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 18pt 0.0001pt 45pt; text-align: justify;"&gt;Vírgula Antenada, 26/09/07&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-5012716842751916233?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/5012716842751916233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=5012716842751916233&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/5012716842751916233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/5012716842751916233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/incompetncia-do-heri.html' title='A INCOMPETÊNCIA DO HERÓI'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-3817078520072169557</id><published>2008-01-05T16:43:00.000-02:00</published><updated>2008-01-05T16:45:12.924-02:00</updated><title type='text'>TEMPO BLUES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(“... Os uniformes/ Os cartazes/ Os cinemas/ E os lares/ Nas favelas/ Coberturas/ Quase todos os lugares/ E mais uma criança nasceu./ Não há mentiras nem verdades aqui/ Só há música urbana...”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cretino herói estava tonto, bêbado, travado. Em seus dezesseis anos de vida nunca se viu em constrangedora e deliciosa situação: embriagado, lúdico, sem um tantinho de sua timidez ou preocupação. De porre estava Hilário. Seu primeiro e homérico porre! Havia nascido uma criança melhor dentro dele (pensava), era o que tinha certeza. Vislumbrava agora tanta parafernália que sempre via, mas não enxergava. Isso (pensava ele de novo). Nunca havia percebido como tudo era tão nublado. E agora, às claras, tão óbvio. Afrouxou a gravatinha que insistia em apertar suas retóricas, tamanha pretensão (pensava) tentar tirá-lo do clarão da certeza das questões da vida que se abria a sua frente. Pensou novamente em jogar a tal gravatinha fora, mas relutou. Amanhã precisaria dela para enfrentar suas seis horas diárias de trabalho como office-boy na fábrica. Deu mais um gole de não lembrava nem o que e não pensou pela última vez: queimaria a gravatinha, a fábrica de cosméticos e seus produtos capitalistas que não deixavam a irmã nem de longe parecida com as modelos dos rótulos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viesse pai, mãe, polícia, nada tiraria ele dali. Ficaria até as... As... Ah! Até as três, seis, nove. Era um transgressor agora e a única certeza que tinha era ser fato a possibilidade de nem mais voltar ao seu mundinho insosso. Teve a certeza em pensamentos exatos de que todo homem ou mulher considerados gênios pela humanidade eram na verdade pessoas comuns, e que os vilões, esses sim, eram gênios inteligentíssimos. Do jeito que encontrava-se, bastava uma caneta, papel A4 e mais nada para ele escrever poesias e músicas históricas. Mas para mudar a situação atual de sua cidade interiorana (e ele nem pensava em imensidão, deixava para depois o país), precisava de estratégia, poder de convencimento e poder para o resto também. Isso é, precisava ser gênio... Ou bastava um povo burro? Bom (pensou), podia fazer uma experiência dentro de casa... Melhor não (repensou). Seu pai era um tirano implacável e, tonto como estava, perderia a guerra na primeira batalha. Mais um gole... Eita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma revolução, talvez? Preguiça. Estudar antropologia e sociologia? Não tinha pistolão. Não soube se era a falta de perspectiva ou a música do Zé Ramalho que estava começando a deprimi-lo. Não! Era a falta de um livro. Seria escritor (pensou). Entre um parágrafo e outro escreveria o sentido de tudo, que estaria em todos os contextos, de um parágrafo a outro. Incrível (disse, ou tentou)! Pediu ao Sr. Zico Lalá, dono da tendinha de churrasquinho, que aumentasse o som. Agora escritor, tinha perdido o medo do Zé e de seus avôs (via dois ou três na música). Que nada de nada com nada! Pediu (gritou) mais um trago da mistura rabo de galo, que ele entornaria e o tornaria ao ele mesmo. Estava a ponto fulminante do desmaio, nosso ainda futuro herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que ele ouviu uma voz. Acabou. Não era uma voz (tinha certeza). Era uma anunciação, um dilúvio, um veludo acetinado deslizando em cordas vocais preciosas e únicas. Uma cachoeira de éter ao contrário, em água que parecia benzida pelo demônio fez, naquele momento, o ébrio garoto herói e cretino saber que o restinho de vida que lhe sobrava escorreria pelas mãos da dona da voz que não podia ser de ninguém, pois que era mitologia antes de ser ouvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou sóbrio com a enxurrada de graciosidade do amor. Não precisava ver o rosto, não precisava tocar, nada. Estava apaixonado e já sabia que de certo morreria amando aquela mulher que, ainda menina em seus quatorze anos, estava ali, parada a sua frente, esperando reação que ele não conseguiria nem naquela ocasião, nem em outras futuras. Mal sabia o coitado que aquela menina o conduziria aos maiores rompantes, lhe traria dores imensuráveis e faria de sua vida um pequeno tópico de sentido único: ser seu dono. Mais sóbrio ainda, como se nunca houvesse bebido na vida ou difamado Che Guevara, levantou o rosto e seus olhos vermelhos, totalizou Aparecida – Cidinha, assim a chamaria mais tarde – criatura que já era seu mundo arruinado. Não que sua vida fosse lá uma maravilhava, mas o cosmos absolveu mesmo seu nome e mandou a ruína em magnitude para tirá-lo do possível coma alcóolico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu. Nosso Hilário saiu derrubando a cadeira da Prhimmus, que era do Seu Zé Lelé, e correu. Não parou enquanto pôde. Sem ar, sem pernas e zonzo, parou na esquina que fazia passagem da linha do trem e sentou-se à beira dos trilhos. Temia seu futuro, temia o nó no estômago, aterrorizado com Aparecida, diferente dele e pertencente a cada artéria sua. Queria ser passageiro daquele trem que estava para passar, queria se jogar na frente dele e acabar de vez com aquela falta de coração deixado na mesa da tenda junto ao rabo de galo. Queria ser gênio e olhar com indiferença para aquela visão de raridade chamada Aparecida. Adormeceu enquanto balbuciava Pixinguinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa!!!&lt;br /&gt;Vírgula Antenada,  11/10/07&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-3817078520072169557?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/3817078520072169557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=3817078520072169557&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/3817078520072169557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/3817078520072169557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/tempo-blues.html' title='TEMPO BLUES'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-7769765456886436776</id><published>2008-01-05T16:42:00.000-02:00</published><updated>2008-01-17T10:11:05.901-02:00</updated><title type='text'>O INFERNO CONTRA ATACA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O convite estava a rasgar-se entre as mãos suadas e trêmulas de Hilário. Já o tinha lido tantas vezes... Jurou de morte alguns nomes que constavam do impresso mas, eis que nosso pobre herói, sofrido e doído que se achava, não possuía forças para matar ninguém. Vontade não lhe faltava. Porém, algo (que muitos anos depois saberia ser conformidade) o impedia de tantos possíveis atos passionais. Era assim que encontrava-se: passional. Diante da covardia inexplicável de Aparecida, nesta época com seus vinte e dois anos, ele sentia-se impotente. Era impotente! Estava impotente! Nasceu desprovido de impulso, nosso cretino Hilário. Um futuro herói criptonizado pelos olhos, que nem eram verdes, da não mais sua, Aparecida – pensava... Paralisado. E, ainda passional, resolveu que mataria a si mesmo, para não cometer chacina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas já estava morto. Remoía-se pensando, tentando esclarecer a época de sua morte. Não lembrava ao certo. Não saberia responder se morreu na primeira vez que a viu ou se foi quando descobriu que ela era sua prima. Talvez ali tenha sido o dia do início da sua caminhada para o inferno, motivada por seu espírito inconformado e sem atitude. Em nove anos em que já não sabia o que era acalanto, vagando desvairado pelo seu umbral particular, encontrava-se desnorteado o hoje rapaz, nos seus vinte e cinco anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O emprego de professor não lhe assegurava bons planos para o futuro. Hilário amava seus alunos, mas sabia que não conseguiria jamais mudar o sistema, que todos só se importavam com o hoje. Aliás, Drummond não importava nem mesmo para a Diretora, Srta. Amália. Assim, como fazer suas turmas interessarem-se pelo ontem, que na visão articulada do nosso herói, estava presente no agora e deixava certo o amanhã? &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O poeta Andrade não havia sido de grande serventia a ele quando precisou. Declamou-o milhares de vezes em frente ao espelho e ensaiou versos de Poeta para recitar a ela, Aparecida, em momento oportuno. Momento não chegou, Cidinha não ouviu, coração não desabafou, tristeza se estabeleceu, escuro se firmou, o caos instalou-se. Sua Aparecida, a Cidinha de tantos, resolveu aceitar o pedido de casamento daquele a quem Hilário mais odiava, justo ele, Miguel Lacerda, o oposto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E deixemos que a mente do nosso sofrido se encarregue de contar sobre o oponente: Miguel, de família fundadora da vila, hoje cidadezinha, a dos Lacerda. Filho de Deputado Estadual, pensa no posto de vereador com vontade do dinheiro fácil e pouco trabalho, angariando grandes favores, além do respeito pelo medo dos mais necessitados. Ele tem tração nas quatro patas. Vai para a Capital comprar seus jeans com etiquetas de valor com quatro dígitos, cinto combinando com a baby look apertada que evidencia os anabolizantes de pouca qualidade, mais baratos que as ferraduras que usa para o término da combinação do visual. O amor da sua vida é a música, não que ele saiba o que é música (acha que oitava sustenida é nome de avenida). Já namorou com todas as mulinhas da cidade e relincha para todos, contando as vantagens de suas investidas diárias. É filho único, a única qualidade que tem. Compra tudo o que quer, consegue tudo o que quer, tem Aparecida como noiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Respirar é o que precisava Hilário. Mundo infernal e traumatizante esse o do nosso futuro herói. De traumas ele já estava saturado: seu nascimento traumático, sua primeira relação sexual traumática, o amor infinito que carregava era trauma dentro do resto, que era nada sem ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Aparecida: linda, meiga, sua. Quantas vezes sonhou vê-la vestida de noiva e poder retirar-lhe o vestido, rasgando-o, tamanha a pressa. Sair dali levando a sua menina, linda que era. Ouvir para sempre a voz mitológica de tão linda, de sua linda visão de eternidade. Linda, e no tempero certo para sua fome, era Cidinha. Cheiro de fazer orquídea morrer de inveja. Natureza única e de tão fortes sensações e inteligência que o Atlântico teria vontade de mudar-se para o outro lado. Absoluta era o seu codinome.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bateram à porta e ele nem se moveu. Tentou mas, lembrou-se, não tinha forças. Sua irmã caçula avisava que já era hora de ir para a igreja. A cerimônia só esperava a noiva e não os padrinhos. Que lástima! Aceitara ser padrinho. Pensou se não era masoquista. Era. Só podia ser. Ignorou a voz estridente da irmã e ligou seu três em um, pago em doze prestações. Com resquício de último sôfrego movimento, pegou o vinil do Phil Collins e chorou, sem vergonha alguma, cantando junto ao amigo da hora “Take a Look At Me Now”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Rumou para a igreja com pretensão de ser um serial killer diferente. Ele estava do lado do mal e esse lado escuro não lhe dava força&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;alguma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ufa!!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vírgula Antenada,  28/10/07&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-7769765456886436776?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/7769765456886436776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=7769765456886436776&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7769765456886436776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/7769765456886436776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/o-inferno-contra-ataca.html' title='O INFERNO CONTRA ATACA'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-5201683825145976360</id><published>2008-01-05T16:38:00.000-02:00</published><updated>2008-01-05T16:39:59.481-02:00</updated><title type='text'>CONTATO IMEDIATO DE PRIMEIRO GRAU</title><content type='html'>(“... Semelhante de você&lt;br /&gt;Diferente de você&lt;br /&gt;Passageiro de você&lt;br /&gt;À espera de você&lt;br /&gt;No seu balão de São João&lt;br /&gt;Que caia bem na minha mão...”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faltava pouco para a entrada triunfante da noiva, como ela mesmo pensava naquele instante. O bouquet a levaria, pois não tinha forças para carregar as flores ao altar. Do outro lado da cidade, na sacristia, longe em matéria de Hilário e seu amigo da hora, Collins, estava Aparecida, a Cidinha de tantos, que finalmente seria de um. Engano, mentira desesperada que se impunha no ato do sacrificante cerimonial, onde uma aliança em sua mão esquerda varreria para fora da vista o que se passou e se passaria ainda por toda sua vida. Não iria ser finalmente de um... Ela sempre foi de Hilário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caiu a primeira lágrima, contida por dias. Lembrou-se de quando o viu pela primeira vez. Lindo, o ainda menino de dezesseis anos, diferente dos garotos do lugar de onde veio. Chegou à cidadezinha do Goiás naquele dia, junto dos pais e da irmã mais velha, para o começo de uma nova vida. Morava no Sudeste, vida difícil e desagregada, quando o então o Sr. José, seu pai, resolveu voltar para o interior. Dona Márcia, mãe de Aparecida, aconselhou que a possibilidade de melhor afirmação se daria onde já existisse apoio familiar estabelecido, indicando que seu irmão, o pai de Hilário, encontrava-se bem na cidade interiorana de Uruaçu, no Goiás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu Hilário pela primeira vez quando seu tio a pediu que fosse chamá-lo na esquina, na tenda do Sr. Zé Lelé. Havia acabado de chegar, em seus quatorze anos primaveris, ansiando por conhecer o seu grande amor. Não soube nunca explicar: já sentia dentro de si que Hilário era o seu tormento incompreensível, seu herói, seu príncipe. Lindo estava ele, bêbado, espetáculo, forte de corpo, invencível em pensamentos e fraco no porvir. Soube que o ainda menino era seu tudo quando, derrubando a cadeira ao avistar seus olhos, correu dela. Um contato imediato assim estava escrito por Deus, pensou por anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os anjos não disseram a palavra mágica e o cupido foi destituído de seu posto. Caiu a segunda lágrima. Senhor José, com muitas dívidas, somente trabalhava para pagá-las. A irmã mais velha faleceu de atropelamento, momento esse em que teve Hilário mais próximo, fortalecendo sua alma. O primo era seu fortificante, mesmo sendo um desavisado. Caiu a terceira lágrima. Desavisado. Hilário não poderia ter aceito o fato de parentesco imposto a ambos. Deveria ter enfrentado. Mas ele era fraco, comedido e insuficiente. Quantas vezes lançou-se a ele, jogando-se distraidamente sobre seu corpo e dele fazendo suas referências?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia teve quermesse, enfim uma situação onde ela poderia, aos seus dezessete anos, arquitetar seus planos infalíveis e conseguir experimentar a boca do seu melhor motivo de vida. Na fila da roda gigante, já não agüentava a avalanche de vontades e a certeza da entrega. Chamou por ele e pediu que a acompanhasse. Foi passageira daquele que tanto amava e os minutos longe dele, até então, sumiram, esvaíram-se na roda do brinquedo. Nunca esteve tão próxima ao grande amor de sua vida. Mas ele nem mesmo lhe fitava os olhos. Talvez por não serem verdes, ela pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava fadada a amar sem ser amada. Queria feri-lo, provocá-lo, aniquilá-lo. Conseguiria. Mas não esquecia seus poros chamando por Hilário, no parque, livre para ele, semelhante dele. Uma cachoeira de lágrimas já desaguava pela face de Aparecida e encharcava seu vestido de noiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava esquecê-lo, deixá-lo, arrancá-lo de dentro da sua alma. Assim, teve tantos namorados e deitou-se com tantos idiotas que não poderia contar. Seus olhos procuravam por seu herói enquanto seu corpo sentia as mais inquietantes contradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário não quis, ela pensava. Não a salvou, não se rendeu aos seus encantos. Olhando agora para si mesma, no espelho trincado daquela sacristia, até se achou bonita. Lembrou de Hilário, que uma vez, no campinho, lhe disse que casca de cacto é a casca mais bonita que existe e “cheira” um perfume bom e machuca quando tocada. Ela era a machucada, sentia. Destroçada, cacto bonito e perfumado que era, seca no deserto da multidão e mais árida por suas lágrimas constantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou novamente o bouquet, cheirou, fechou os olhos. Queria ter Hilário a lhe rasgar o vestido, com pressa. À espera dele, viu sua sinuosa silhueta no quadril que maior estava, declarando que seu corpo já era Lacerda, membro ali instalado, mesmo embrião não se escondia. Culpa de Hilário! Outro primo para Hilário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sem ufa)&lt;br /&gt;Vírgula Antenada,  28/10/07&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-5201683825145976360?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/5201683825145976360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=5201683825145976360&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/5201683825145976360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/5201683825145976360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/contato-imediato-de-primeiro-grau.html' title='CONTATO IMEDIATO DE PRIMEIRO GRAU'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7418530154251491150.post-1479072104753352008</id><published>2008-01-05T16:30:00.000-02:00</published><updated>2008-01-05T16:41:25.185-02:00</updated><title type='text'>SEM ME CERCEAR - CRETINO É A PUTA QUE TE PARIU</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-family:Verdana;" &gt;(“&lt;/span&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Eles querem que você se sinta mal... Pois assim eles se sentem bem... Vem cá seu cu de burro/ Eu vou te dar um esculacho/ Não, eu não me sinto mal/ Eu sobrevivo a todo lixo/ Todo ódio, com amor/ Eu sou o valor/ Das coisas simples/ Eu quero mais é que eles queimem na fogueira das vaidades/ Sou completamente louco mas um louco consciente...”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Uma sensação de lixo enterrado. É isso que sente Hilário, nosso quase herói: paz de espírito com dever cumprido. Sofrimento deixa as pessoas confusas, mas o homem hoje estava nada de nada com nada em tormento interior; ele está livre, sente-se livre, sabe que é gente. Em seus quarenta e dois, quase três, de vida, nunca sentiu-se tão bem. Saiu da locadora com seu filme da noite de folga. Locou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Matou a família e foi ao cinema, sem dó nem pena, sem nenhum telefonema.&lt;/span&gt; &lt;o:p style="font-style: italic;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Talvez indique o filme na faculdade que leciona, talvez não. Quem sabe um ou dois alunos entendam. Vai indicar, certeza. Ligou a moto e pegou a rua Dr. Olinto Magalhães. Teria que passar na casa da Gisa, prometeu. Não ia. Ligou o Ipod e, ouvindo Charlie Brown Jr, seu pensamento guiou a Falcon, Rio de Janeiro a dentro. Um moleque o nosso homem quase herói.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;A vida de Hilário está ótima. Tirando o fato, para ele relevante, da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Acha que é ridículo as pessoas ainda acreditarem que isso é importante, que gerará emprego e que melhorará a imagem vagabunda de seu País, antes Tupiniquin, hoje desastroso no futebol. Mas, que seja! Talvez ele nem esteja mais aqui no ano do evento, pensou. Não que pensasse em morrer. Hoje ele ri quando lembra o porquê de ter parado no RJ. Não quer mais morrer mas, ir é inevitável para qualquer ser vivo. Qualquer um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Matando a família – que a muito nem se imaginava junto a eles – entrou na Av. Pres. João Goulart. Tinha o essencial de que precisava: um apartamento quarto e sala, três empregos, música e mulheres. Ah! Mulheres... Aprendeu quase nada sobre elas, já que hoje, a maioria se mostra inteira na primeira meia hora, com &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;tão pouco a oferecer que fica difícil pesquisa aprofundada. Que o desculpassem as que ainda eram interessantes, porém, na cadência do samba que estava compondo para sua vida, cuíca soava como anúncio de noitada e reco-reco era pá e bola. Vambora. Estava indo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Pegou a Niemeyer e avistou o mar. Fascinante. Lembrou-se da primeira vez que viu a imensidão de águas. Foi para a areia, virou-se, mirou as ondas e gritou: e aí, paísinho? Estou eu aqui, de frente para o Atlântico e de costas pra você, continente descompensado. Mas, logo depois, voltou-se para o calçadão, deu um giro de 360 graus e agradeceu por ser brasileiro. Aí, tomou um chopp, que ele também não é de dispensar um contentamento adquirido por mérito próprio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Já no apartamento, abriu uma latinha, acendeu um cigarro e colocou o filme. Antes que iniciasse, ouviu batidas na porta. Abriu. O porteiro lhe trazia um telegrama. Abriu (de novo). Não gostava muito de abrir nada; nem porta, nem carta, nem e-mail. Olhou para o porteiro, sabendo que ele nada entenderia, e agradeçeu, fazendo em seguida aquilo de que gostava: fechou a porta. Não chorou. Nada. Bebeu a latinha em um só gole. Aparecida estava morta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;O Ipod ainda ligado, Hilário ouviu &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);" lang="PT"&gt;Agora sei!/ O quanto é precioso/ O nosso tempo/ A gente tem que dar valor/ Certas coisas não têm preço”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ufa!!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vírgula Antenada, 20/11/2007&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7418530154251491150-1479072104753352008?l=cretinoheroi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/feeds/1479072104753352008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7418530154251491150&amp;postID=1479072104753352008&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/1479072104753352008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7418530154251491150/posts/default/1479072104753352008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cretinoheroi.blogspot.com/2008/01/eles-querem-que-voc-se-sinta-mal.html' title='SEM ME CERCEAR - CRETINO É A PUTA QUE TE PARIU'/><author><name>Denise Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_6aQXqi-j2bQ/S3AhI0FG5II/AAAAAAAABzU/qH_Jl5Qz8JI/S220/d%C3%AA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
